23 de ago. de 2010

Estamos de volta ao Canadá

Olá pessoal!!!

Desculpe-me pela ausência de postagens no blog. O motivo é justificável: estávamos de férias no Brasil. Sim, estávamos matando a saudade dos nossos familiares e amigos... Então, as novidades são muitas e não vamos colocá-las aqui, senão teríamos um post do tamanho do próprio blog!!!

O único ponto que desejo destacar é a dificuldade do retorno ao Canadá. É muito difícil deixar as pessoas amadas para trás, sabendo que estão sofrendo por dentro apesar de se mostrarem felizes por nós e esperançosas por fora. Estar na NOSSA TERRA nos faz pensar (e repensar) muito sobre os nossos objetivos aqui, e até mudar a direção de antigos pensamentos. Mas isso é assunto para outros posts.

Por agora, quero deixar um texto que li em um livro do Rubem Alves (Ostra feliz não faz pérola), que por sinal (ou destino) comprei no aeroporto de Brasília, antes de embarcar no avião que nos traria de volta. Aí vai:

PATOS SELVAGENS

“ Era uma vez um bando de patos selvagens que voava nas alturas. Lá em cima era o vento, o frio, os horizontes sem fim, as madrugadas e os poentes coloridos. Tudo tão bonito! Mas era uma beleza que doía. O cansaço do bater das asas, o não ter casa fixa, o estar sempre voando e as espingardas dos caçadores... Foi então que um dos patos selvagens, olhando lá das alturas para a terra aqui em baixo, viu um bando de patos domésticos. Eram muitos. Estavam tranquilamente deitados à sombra de uma árvore. Não precisavam voar. Não havia caçadores. Não precisavam buscar o que comer: o seu dono lhes dava milho diariamente. E o pato selvagem, invejou os patos domésticos e resolveu juntar-se a eles. Disse adeus aos seus companheiros, baixou seu voo e passou a viver a vida mansa que pediu a Deus. Assim viveu por muitos anos. Até que... Até que, num ano como os outros, chegou de novo o tempo da migração dos patos selvagens. Eles passavam nas alturas, no fundo azul do céu, grasnando, um grupo após outro. Aquelas visões dos patos em voo, as memórias de alturas, aqueles grasnados de outros tempos começaram a mexer com algum lugar esquecido dentro do pato domesticado, o lugar chamado saudade. Uma nostalgia pela vida selvagem, pelas belezas que só se veem nas alturas, pelo fascínio do perigo... Até que não não foi mais possível aguentar a saudade. Resolveu voltar a ser o pato selvagem que fora. Abriu as asas, bateu-as para voar, como outrora... Mas não voou. Caiu. Esborrachou-se no chão. Estava gordo demais. E assim passou o resto de sua vida: em segurança, gordo de barriga cheia, protegido pelas cercas e triste por não poder voar..."

Rubem Alves

Um comentário:

Gleice Kelly disse...

Ju eu sei como é essa mistura de sentimantos, quando estive la em setembro passado senti isso na pele, doeu mais da segunda vez acho que é pq não era mais novidade o que eu ia encontrar aqui e a saudade eu pensei que fosse mais facil lidar com ela.