
Olá pessoal!!!
Finalmente me senti pronta emocionalmente para escrever sobre o nosso primeiro ano por aqui. Digo assim pois eu estava sob forte emoção, após o retorno de nossas primeiras férias no Brasil e, como tal, estava afetada pelo "espírito patriota" e o saudosismo...
Vamos lá: no dia 25 de agosto de 2009, chegávamos (eu e meu marido) no aeroporto de Montréal, vindos de uma semana com os meus pais em NY. Já estávamos um pouco emocionados devido à despedida recente dos meus pais. E, além disso, todo o medo de começar uma vida nova em um país novo. Diferente de outros imigrantes, já chegamos com um apartamento alugado, cedido por um amigo canadense (Pascal). Para a nossa sorte, nosso amigo deixou o ap todo mobiliado (doação dele). Não eram coisas novas, mas foi uma ajuda e tanto, fora a economia.
Passamos pela fatídica primeira semana de imigração: tirar toda a documentação necessária para o nosso NASCIMENTO frente a sociedade canadense. A correria inicial é grande e fatigante, mas extremamente necessária. Graças a Deus, tivemos a ajuda e dicas essenciais de vários amigos brasileiros que já tinhamos feito no Brasil e dos novos que fizemos por aqui. Uma dica importante para os futuros imigrantes: percam todos os preconceitos que vocês trarão no Brasil. Aqui, às vezes, temos que descer um degrau para subirmos dois. Cestas básicas, ajuda social e outras coisas mais às vezes são necessárias para o começo.
Começamos a fazer inglês para não perdermos tempo. Após dois meses de curso, fomos chamados para fazer a francisação pelo MICC. Dinheiro entrando é melhor do que só saindo. A ajuda financeira é realmente SÓ UMA AJUDA! E lembrem-se (outra dica importante): tragam uma reserva maior do que vocês estão calculando. Vocês vão precisar sempre mais do que esperam... O dinheiro aqui parece voar!!!
Após terminar a francisação do governo, comecei a fazer o curso de francês escrito. Após um mês de curso, consegui um emprego em uma garderie. Não é na minha área, mas o público é o que eu sempre trabalhei: crianças!
O Márcio continuou o curso de francês até a nossa ida para o Brasil. Mas, agora que voltamos, ele percebeu que o inglês também é importante para quem quer trabalhar em Montréal. Como a ajuda financeira pelo governo não pode ser mais recebida por ele (eles estão pagando só 8 meses de francisação agora), ele voltou ao curso de inglês e está procurando um emprego.
Eu continuo trabalhando na garderie pois o meu pedido de admissão ao mestrado em fonoaudiologia na UdeM foi revogado. Sim, eles me admitiram e um mês antes do início das aulas, eles decidiram que o meu francês não era suficiente para o curso (lembrando que o exame de francês foi a primeira etapa do processo de seleção, ou seja, era eliminatório). Enfim, águas passadas... Mas, como sou brasileira e não desisto NUNCA, vocês terão notícias minhas! rsrsrsrs Aguardem cenas dos próximos capítulos!!!
Balanço de 1 ano: até agora, POSITIVO. A experiência, a qualidade de vida e outras coisas mais foram válidas... Amigos verdadeiros são poucos e a saudade é muita! Estejam bem decididos de que é isso mesmo o que vocês querem porque a vida de imigrante por aqui não é fácil. Não é realmente o que eles pintam em blogs e palestras do governo no Brasil. Exite SIM discriminação com os imigrantes, existe SIM a falta de dinheiro e a dificuldade financeira, existe SIM violência (pouca, mas existe), existe SIM desânimo e vontade de voltar para casa, mas no final só dependerá de VOCÊ o sucesso ou não nessa nova caminhada. Não sei se os nossos objetivos continuam os mesmos por aqui, mas acho que não...
